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"Relembrar, honrando as tradições do Rio Grande do Sul."
História

HISTÓRICO DO CTG FELIPE PORTINHO
O Centro de Tradições Gaúchas Felipe Portinho, foi o pioneiro do Movimento Tradicionalista em Marau.
A sua criação foi no dia 08 de fevereiro de 1958, onde o Capitão João La Maison, juntamente com outros tradicionalistas da época adeptos ao movimento, resolveram criar uma entidade social vinculada a história gaúcha.
O nome FELIPE PORTINHO, foi uma homenagem prestada a quem teve ativa participação no Movimento Revolucionário de 1923, de modo especial em nossa região, e cuja coluna integrou-se o fundador de nossa entidade. Felipe Portinho é o Patrono da entidade.
Além, do aspecto de congraçamentos e divulgação dos usos e costumes do Rio Grande do Sul, o objetivo era acima de tudo o da preservação desta cultura oriunda das mais diversas etnias que constituem o Pago Sul-rio-grandense.
Outro detalhe que teve a consideração do fundador foi a de colocar à disposição de uma grande parcela desta comunidade, uma oportunidade para ter condições de frequentar seu clube. A empreitada não foi fácil, porém, através de um trabalho sério e consciente levou-se esta mensagem a todos os segmentos da sociedade Marauense, havendo a devida reciprocidade as tradições de nosso Estado, aqui também foram preservadas e cultuadas, até de certa forma surpreendente para a época. Atualmente a entidade conta com as invernadas artísticas desde a escolinha até a invernada Xiru, tendo em seu quadro aproximadamente 200 dançarinos. As invernadas do CTG Felipe Portinho são destaque na região, em virtude, primeiro da presença sempre marcantes em rodeios e eventos artísticos e culturais como o Primeiro Lugar com a invernada Juvenil na fase Regional do Enart, a presença das invernadas de dança em Porto Alegre no Acampamento Farroupilha, como parte dos festejos farroupilhas de 2014, Bi campeã da Reculuta Farropilha de Passo Fundo com a Invernada Xiru, presença no Festival Internacional de San Bernardo no Chile festival tradicional que já existe a 41 anos, Participação em eventos de ação social como o OUTUBRO ROSA (evento para conscientização ao Câncer em mulheres) e o NOVEMBRO AZUL (evento para conscientização ao câncer em homens), participação no Festival Internacional de Folclore de Passo Fundo.
O CTG Felipe Portinho conta também com declamadores, solistas, gaiteiros e demais categorias individuais, sendo que também alcançou inúmeras conquistas neste período, como o primeiro lugar no ENART em declamação, e também com finalistas do ENART na categoria gaita tecla, e no Rodeio dos campeões do CBTG, excelentes classificações na gaita de botão, além do Terceiro lugar conquistado Juvenart também na gaita ponto. Também temos a honra de ter alcançado o primeiro lugar no estado nas danças de salão categoria Mirim. E para completar, o CTG possui uma invernada campeira completa, tendo nossa entidade expressiva participação nos rodeios de toda a região, além de participação ativa nos compromissos da 7ª Região Tradicionalista e do MTG. Por esta participação efetiva nos eventos da 7ª Região Tradicionalista e nos eventos do MTG, a entidade recebeu por quatro vezes a COMENDA JOÃO DE BARRO, honraria esta que premia as entidades com maior participação nos eventos Oficiais do MTG, nos anos de 2006 ,2014, 2015 e 2016 como forma de reconhecer a participação ativa do CTG nas atividades tradicionalistas do Nosso Estado e também fora dele, principalmente com a equipe de bochas do campeira do CTG, que já sagrou-se campeão e vice campeã Nacional na cidade de Jatai no estado de Goiás no ano de 2013, e também ter sido campeã nacional com a equipe de bocha 48.
O CTG Felipe Portinho foi o pioneiro do Movimento Tradicionalista Gaúcho em Marau, o 3º CTG que integrou a 7ª Região Tradicionalista e um dos 10 primeiros do estado. No ano de 2014 sediamos o Encontro de final de Ano do MTG, onde foram inauguradas obras internas como Biblioteca, sala de Reuniões, secretaria, pórtico de entrada e escadaria frontal. Nossa Sede conta também com internet liberada em todas as dependências, conta com um site muito bem preparado (www.ctgfelipeportinho.com.br), com condições de levar as novidades de notícias do tradicionalismo e do CTG Felipe Portinho para toda a região e para todo mundo, contamos também com uma fanpage no Facebook com grande número de curtidas que leva ainda mais longe nossa atividade e a cultura gaúcha pela internet e também possuímos um programa de rádio semanal, que vai ao ar aos domingos pela parte da manhã, das 11 horas ao meio dia, programa este que foi para o ar pela primeira vez em 1963 com o nome de REPONTANDO A TRADIÇÃO e ainda hoje mantem sua essência a serviço do CTG e da nossa cultura Tradicionalista, acompanhando sempre a evolução das comunicações.
Na entidade também são realizados bailes tradicionais importantes, como por exemplo a RONDA FANDANGUEIRA e a RONDA JOVEM, que são bailes temáticos que mostram e resgatam a cultura gaúcha, sendo estes bailes pioneiros no estado, e precursores de bailes do gênero por toda a região. Além destes são realizados o tradicional baile da Prenda Jovem, o Baile de Aniversário do CTG e o Baile do Associado, além de inúmeros bailes e jantares, servidos a moda gaúcha, provenientes de uma equipe de cozinha e churrasco que a muitos anos preza pela qualidade e tradição Rio Grandense.
Nestes 57 anos de Existência, o CTG Felipe Portinho alcançou ainda muitas conquistas com os peões e prendas da Gestão, sendo as mais destacadas o peão Farroupilha do Estado do Rio Grande do Sul na gestão 2014/2015, o que trouxe para a Nossa Entidade no ano de 2015 o 27º ENTREVERO DE PEÕES DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, e na gestão 1999/2000 a primeira prenda Juvenil do Rio Grande do Sul, além de inúmeras vezes termos peões e prendas na Gestão da Sétima Região Tradicionalista. A gestão interna da entidade tem um incansável trabalho social dentro e fora do CTG, promovendo campanhas anuais de doação de sangue intituladas “Gaúchos doando Sangue”, além e mostras e visitas nas escolas do município e no hospital local, mostrando nossa cultura e realizando importantes trabalhos sócias no âmbito municipal.
A entidade tem como lema: "Relembrar, Honrando as Tradições do Rio Grande do Sul", seu símbolo é representado pela boleadeira e suas cores são vermelho e branco.
UM POUCO DA NOSSA HISTÓRIA
PARTE 01 – “CAPITÃO JOÃO LA MAISON” - VIVÊNCIAS DE UM BRAVO MARAGATO, por CLÉLIA BORTOLINI

             Construí esta narrativa no ano de 1998, com base em depoimentos orais de Antônio Manoel La Maison e raros documentos e anotações preservados pela família do Capitão João La Maison. Realizei pesquisas de apoio histórico na seguinte bibliografia:
FAGUNDES, Antônio Augusto. “Cartilha da História do Rio Grande do Sul”. Porto Alegre, Martins Lvr.Ed., 2ª Ed. 1994.
PESAVENTO, Sandra Jatahi. “História do Rio Grande do Sul”. Porto Alegre, Mercado Aberto,1997.
POSSAMAI, Zita. “Revolução Federalista de 1893”. Porto Alegre, Secretaria Municipal de Cultura. Editor Susana Gastal, 1993.
STAWINSKI, Vitor. “Padre Frei Gentil de Caravaggio (1885/1953). Caxias do Sul. Tipografia São Miguel, 1970.
O texto foi publicado no Jornal “Correio Marauense” em 27 de fevereiro de 1999.

BERÇO EM TEMPOS DE GUERRA - João La Maison nasceu em 30 de dezembro de 1891, no Rio Grande do Sul – um tempo e um lugar determinantes em sua trajetória de vida, pois o período que antecede o seu nascimento e vai até sua maturidade foi marcado por revoluções que mantiveram a população permanentemente “em armas”.
João era filho de Antônia, uma índia uruguaia da tribo Guarani, que, muito jovem, foi trazida ao Brasil por carreteiros, passando a residir com uma família brasileira no 7º Distrito do Município de Soledade, na localidade de Restinga.
Antônia era uma mulher ativa e corajosa. Durante as revoluções, muitas vezes pegou em armas para defender a família que formara com seus nove filhos. Conta-se que, em certa ocasião, um grupo de doze homens sitiou a casa da fazenda e Antônia, armada de foice, saiu junto com os peões em defesa da propriedade.
Herdeira dos conhecimentos indígenas sobre ervas medicinais, durante toda a sua vida, que ultrapassou os 100 anos, Antônia exerceu o ofício de curandeira, conquistando a confiança da população da região. Também contribuiu para torná-la uma referência importante na memória coletiva o fato de ter sido ama de leite de inúmeras crianças.
Entretanto, a República havia sido proclamada dois anos antes do nascimento de João. Sua infância transcorreu, pois, num período marcado pela transição do regime monárquico para o regime republicano.
No Rio Grande do Sul, a economia ainda baseava-se na pecuária, embora já se destacasse a economia agrícola colonial, dinamizada pelos imigrantes alemães e italianos.
Dois partidos políticos disputavam então o poder no Estado.O Partido Republicano Rio-grandense reunia os chamados “republicanos históricos” que haviam participado do movimento da Proclamação da República e era liderado por Júlio de Castilhos. Os republicanos ocupavam o poder, eram presidencialistas e defendiam uma República autoritária, com um regime conservador, apoiado em idéias positivistas. Consideravam o desenvolvimento capitalista global como o destino do Estado e suas bases eleitorais eram as cidades do litoral e algumas colônias da Serra, estas revoltadas contra o contrabando facilitado na Região da Campanha. O braço armado destas idéias recebeu diversas denominações no decorrer da história: legalistas, chimangos, lenços brancos, pitocos, pica-paus (por causa do uniforme azul, com uma bola escarlate no gorro). O Partido Federalista Brasileiro, fundado em Bagé em 1892, era liderado pelo estancieiro Gaspar Silveira Martins. Defendia o parlamentarismo, representava os interesses dos estancieiros da Região da Campanha e pregava reformas na Constituição. Os correligionários, entre os quais se destacaria Assis Brasil, consideravam o desenvolvimento da pecuária como o destino do Rio Grande do Sul. Os federalistas, no transcorrer dos lutas, foram alcunhados de jagunços, maragatos (por contarem com a ajuda dos uruguaios), lenços vermelhos. 

 
PARTE 02 – “CAPITÃO JOÃO LA MAISON” - VIVÊNCIAS DE UM BRAVO MARAGATO, por CLÉLIA BORTOLINI

INFÂNCIA DE TRÁGICAS MEMÓRIAS - João não tinha completado dois anos de idade quando os republicanos e federalistas, grupos ideológicos antagônicos, bateram-se na guerra civil que o historiador Décio de Freitas considera a mais violenta entre todas as guerras da América do Sul, a “Revolução Federalista de 1893”. A luta durou 31 meses e fez 10 mil vítimas.
O Presidente do Brasil, Floriano Peixoto, prestou apoio aos republicanos, por considerar que os federalistas tinham, entre seus ideais, o anseio de restabelecer a monarquia.
As lutas, ainda travadas predominantemente com lanças e espadas, atingiram vários pontos do Rio Grande do Sul, alcançando também os Estados próximos – Santa Catarina e Paraná - já que os revolucionários procuravam tornar o movimento nacional.
Combates também foram travados nas proximidades de onde João vivia, como, por exemplo, o Combate do Pinheiro Torto, perto de Passo Fundo, no qual maragatos e legalistas lutaram durante seis horas.
Em 1894 ocorreu o Combate de Três Passos, no qual 150 republicanos e 13 federalistas foram mortos. Quase 100 anos depois, Antônio Manoel Lamaison, filho de João, contou-o em poesia, da qual foram selecionados os versos:

“Três Passos, Velha Querência,
De histórias e tradições,
Berço de tantos cernes
Que lutaram por este chão.”

“E o combate federalista
Que se travou uma vez
Levando para além das fronteiras
O feito de 93.”

“Deste violento entrevero
A história está a nos dizer
Entre maragatos e chimangos
Era matar ou morrer.”

Somente em 10 de julho de 1895, Prudente de Morais consegue um acordo de paz assinado em Pelotas. Júlio de Castilhos foi mantido no poder e os rebeldes foram anistiados.
João La Maison certamente cresceu ouvindo os relatos das crueldades, saques, degolas, castrações e estaqueamento de soldados acontecidos nessa “Revolução da Degola”, como ficou popularmente conhecida a Revolução Federalista, “marcada pelo estigma da infâmia e por isso condenada ao memoricídio”, como afirma Décio Freitas.
Na foto (Parte 02), João e três irmãs, entre os onze filhos da índia Antônia.

 
PARTE 03 – “CAPITÃO JOÃO LA MAISON” - VIVÊNCIAS DE UM BRAVO MARAGATO, por CLÉLIA BORTOLINI

JOÃO, TROPEIRO EM MARAU - Quando tinha 12 anos de idade, em 1903, João deixou a mãe e os irmãos em Soledade para residir com seu padrinho, João Antônio La Maison, na estância Invernadinha Redonda, hoje denominada São João do La Maison, no território que, mais tarde, formaria o Município de Marau.
Em 1914 eclodiu a 1ª Guerra Mundial, que se estendeu até 1918. Como reflexo, o Rio Grande do Sul viveu um período de prosperidade com a venda de seus produtos para os países em guerra.
João tornara-se peão de estância e, a seguir, tropeiro de mulas, percorrendo as regiões de São Gabriel, São Sepé, Santa Maria, Alegrete, Cachoeira do Sul, União da Vitória, entre outras, à procura de muares, em viagens que duravam de 70 a 80 dias. As tropas reunidas eram então conduzidas para o povoado denominado Tope, o mais antigo núcleo de Marau, localizado nas proximidades de Veado Pardo. Muitas vezes os muares eram negociados com os colonizadores italianos de Campo dos Bugres (Caxias do Sul), Colônia Dona Isabel (Bento Gonçalves), Colônia de Alfredo Chaves (Veranópolis), entre outras.
Para vender tropas em São Paulo, os tropeiros viajavam 75 dias. Indo por Carreta Quebrada, saíam no Passo do Barracão um pouco antes de Lagoa Vermelha. Cruzavam um vau (trecho raso) do Rio Pelotas e atravessavam o sertão de Santa Catarina. Entravam no Paraná, na cidade de Ponta Grossa, e saíam na Lapa, cidade muito antiga, a par de Curitiba. Em Itararé, divisa com São Paulo, os tropeiros arrendavam campo e invernavam a tropa.
Na viagem iam dois cargueiros de bruaca de couro, com mantimentos como charque, arroz, feijão, toucinho, café biscoitos e mais duas barracas boas. Eram cinco ou seis tropeiros, chamados de birivas, e os mais fiéis companheiros do Capitão La Maison foram Anacleto Vaz dos Santos e Paulo Alves da Silva, o Vacariano. De noite, faziam fogo, janta, contavam causos e tomavam chimarrão.
Seguiam viagem a base de 30 quilômetros por dia, levando burro chucro que era domado na estrada. A tropa de 50 a 60 burros era vendida e a volta feita de trem, na Maria Fumaça. até Passo Fundo, viajando três dias e três noites.
Os birivas também negociavam com os litorâneos. Transportavam charque, queijo crioulo, erva-mate, pinhão e torresmo e regressavam trazendo rapadura, farinha, cachaça, açúcar mascavo, cacho de banana, abacaxi.
Entretanto, o aprendizado formal de João limitava-se à leitura, escrita e domínio das quatro operações. Com apenas isso, tornou-se um leitor apaixonado de livros e da vida, eternamente curioso, observador e aprendiz voluntário de todas as novidades introduzidas na pecuária gaúcha, que transferia depois para suas lides no campo.
Com 27 anos, João viu findar a 1ª Guerra Mundial, trazendo como conseqüência a diminuição de vendas do produto gaúcho, num momento em que os campos estavam repletos de gado e as raças vinham sendo aprimoradas.
No último ano da 1ª Guerra Mundial (1914/1918) alastrou-se no mundo inteiro a gripe espanhola, que matou mais pessoas do que a própria guerra. Entre as vítimas brasileiras, o presidente eleito do Brasil, Rodrigues Alves, morreu em janeiro de 1919, sem ter tomado posse.
Houve muitas mortes em Marau e João também contraiu a gripe espanhola. Sua fama, ao longo do tempo, inspirou muitas histórias e ele foi considerado um sobrevivente especial.
Segundo narrativa de seus familiares:
“João foi dado por morto. Colocaram uma vela entre suas mãos e começaram os preparativos para o velório. Repentinamente, João recomeçou a respirar, sentou-se na cama e disse:
- Sonhei que estava próximo a uma grande lagoa de leite e cuscuz e encontrei a vizinha Fulana de Tal que me mandou voltar, pois ela iria no meu lugar.
Ainda perplexas, as testemunhas receberam a notícia de que a mencionada vizinha havia morrido, vítima de um ataque fulminante, justamente quando preparava o cavalo para se dirigir à casa de João, a fim de velar o amigo.”
Na foto (PARTE 03), os cenários que fizeram parte da vida dos tropeiros no Rio Grande do Sul. São imagens raras, retiradas dos poucos livros escritos na época.
PARTE 04 – “CAPITÃO JOÃO LA MAISON” - VIVÊNCIAS DE UM BRAVO MARAGATO, por CLÉLIA BORTOLINI

IRMÃOS EM CAMPOS OPOSTOS - Entretanto, no plano político do Rio Grande do Sul, João La Maison vivenciava contrariado a longa hegemonia do PRR: em 1898 Borges de Medeiros, discípulo de Júlio de Castilhos e representante do Partido Republicano Rio-grandense havia sido eleito presidente do Estado, e depois reeleito em 1903, 1913 e 1918.
No plano nacional, em 1922, disputavam a presidência da República Artur Bernardes e Nilo Peçanha.
Um dos irmãos de João, Eugênio La Maison, o Lulu, residente em Rio Negro, Paraná (instalado como “Fabricante e Exportador de Herva Matte, Cancheada e Beneficiada”) escreveu-lhe uma carta, datada de 5 de janeiro de 1922, dizendo-se irmanado ao “eminente patrício” Dr. Borges de Medeiros no apoio que o PRR oferecia a Nilo Peçanha.
Porém, a oposição gaúcha, na qual João militava, ofereceu apoio ao mineiro Artur Bernardes, também candidato dos cafeicultores paulistas.
Contudo, Lulu afirmava que pensavam como ele “os filhos do Rio Grande do Sul residentes em Paraná e Santa Catarina” e que “a imposição de Bernardes seria a maior humilhação que poderia sofrer o nosso Rio Grande”.
Em conformidade com o espírito guerreiro da época, Lulu dizia-se “capaz de pôr em pé de guerra cinco a seis mil homens em questão de 15 a 20 dias, para marchar sobre São Paulo”.
Porém, foi Bernardes quem ascendeu à presidência.
MILITÂNCIA ASSISISTA
Aproximavam-se as eleições de novembro de 1922 para a sucessão estadual e a candidatura de Borges de Medeiros para um quinto mandato acirrou os ânimos da oposição, alinhada em torno do Partido Federalista, que apresentara como candidato o Dr. Joaquim Francisco de Assis Brasil, diplomata culto e respeitado estancieiro.
Não certamente por acaso, em 1919, com 28 anos, João La Maison, assisista liberal convicto, fez seu título de eleitor em Marau, ainda 5º Distrito de Passo Fundo, com o número 8772. Vivenciou uma campanha marcada por atos de violência, pois, conforme Antônio Fagundes, teve até a dissolução, a patas de cavalo e tiros de mosquetão, de comícios de estudantes favoráveis a Assis Brasil.

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